1. Reverenciar as ancestrais, as mulheres que enfrentaram a opressão patriarcal, de raça, classe e gênero para conquistar seu espaço na capoeiragem, além de incentivar a formação sociocultural de uma nova geração de capoeiristas. Estes foram alguns dos objetivos do evento “Esse Gunga Também É Meu”, realizado pela ACANNE (Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro) entre os dias 17 e 21 de março em Salvador-BA, em espaços como a sede da ACANNE, a Escola de Dança e a Praça das Artes da UFBA.

    “No mês da mulher, homenageamos nossas ancestrais e colocamos em pauta as relações de gênero na capoeira angola e na cultura popular afro-brasileira. Gunga é o berimbau mestre da roda, o da cabaça maior, que abre, fecha e conduz o ritual. O Gunga em mãos femininas significa o protagonismo e liderança da mulher na condução da comunidade”. Essas são as palavras de Mestre Renê, fundador da ACANNE entidade que completa 18 anos de atuação em prol da capoeira angola e da cultura negra de raiz. O evento começou a ser realizado no início do século, mas ficou alguns anos em inatividade, e volta ao calendário anual do grupo desde já.




    Na segunda-feira, dia 17/03, os trabalhos foram abertos à noite, na sede da ACANNE, com uma oficina de Cris Abacaxi, aluna da ACANNE. Como em todos os outros dias do evento, após a oficina de capoeira angola foi realizada uma roda com a participação de todos os presentes. 






     Na terça-feira as atividades aconteceram na UFBA, e no início da tarde, na Escola de Dança, foi exibido o documentário Insurreição Rítmica. Lançado em 2008, o filme retrata a iniciativa de organizações sociais de Salvador que trabalham com cultura e arte como ferramenta de inclusão social e promoção da cidadania para jovens e crianças de bairros periféricos, a exemplo da ACANNE, da Banda Didá, do grupo Beje Oró e do Circo Picolino. Logo depois, aconteceu uma oficina de percussão afro-brasileira, com a turma do Centro Cultural Mata Inteira. Criado pelo Mestre Ivan (em memória), o Mata Inteira, situado na área remanescente de mata atlântica que fica atrás da Escola de Dança, no campus de ondina da UFBA, atua em defesa do meio ambiente e promove atividades sócio-culturais e artísticas centradas na percussão e no canto afro-brasileiros. 




    Após a oficina, foi realizada a palestra “Mulheres na Capoeira: documentação e história”, pela professora Adriana Albert Dias (UNEB). Mestra em História Social, Adriana é autora do livro “Mandinga, manha e malícia: uma história sobre os capoeiras na capital da Bahia (Salvador: EDUFBA, 2006). A palestra tratou de uma série de mulheres que tiveram sua participação na capoeiragem minimizadas pela história oficial, como Maria Felipa, Maria 12 Homens e Rosa Palmeirão, dentre outras, trazendo o debate para a contemporaneidade e os desafios encontrados pelas mulheres de hoje para conquistarem seu espaço. Em seguida, aconteceu mais uma oficina e roda de capoeira angola com Cris Abacaxi, na Praça das Artes da UFBA. 




    O terceiro dia de evento contou a com a presença do Mestre Renê Bitencourt, recém-chegado de uma temporada de um mês nos EUA e no Caribe. Discípulo do saudoso Mestre Paulo dos Anjos, Mestre Renê mantém viva a herança da linhagem dos mestres Canjiquinha e Aberrê e coordena um grupo que conta com núcleos em Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, EUA, França, Trinidad e Tobago, Ucrânia, Argentina, Peru e Equador.




    Na tarde de quinta as atividades voltaram a acontecer na UFBA, com a exibição do documentário ACANNE 25 anos, que fala da trajetória do grupo desde sua fundação em 1986 na Fazenda Grande do Retiro. Logo após, aconteceu uma oficina de samba de roda com Natureza França, coordenadora do projeto A Corda Samba de Roda, que desenvolve atividades com crianças e jovens do subúrbio ferroviário. A oficina contou com a participação mais que especial de D. Cirila, que com suas mais de sete décadas de samba, já vivenciou parcerias importantes no mundo da cultura como Camafeu de Oxossi e outros bambas. De tardinha aconteceu mais uma oficina de capoeira angola, desta vez sob a orientação da dançarina e cantora Dandara Baldez, que trouxe as particularidades da capoeira angola do Maranhão. Uma boa roda de conversa sobre os desafios e percalços enfrentados pelas mulheres na capoeira antecedeu a outra roda, de vadiação, finalizada com mais uma boa dose de samba de roda. 




    O evento foi encerrado na sexta-feira, com a tradicional roda de capoeira angola e a mesa de frutas da ACANNE. As reflexões e práticas, contudo, permanecem, e segue firme a necessidade de discutir relações raciais, de gênero e orientação sexual no seio da capoeiragem, para que a diversidade e o respeito às diferenças sejam cada vez mais contribuições da capoeira angola e da cultura negra para o mundo.



    O evento “Esse Gunga Também É Meu” contou com apoio do Núcleo de Extensão da Escola de Dança da UFBA, que cedeu espaço e equipamentos, e da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA), que contribuiu com banners e camisetas. Desde já a ACANNE agradece aos parceiros, incluindo todos os oficineiros que apostaram na proposta do evento e deram sua contribuição voluntária, além de todos os participantes. Ano que vem tem mais, e de 20 a 26 de outubro deste ano, o principal evento do grupo: O Sabor do Saber Ancestral, uma semana de profunda imersão no universo da capoeiragem e da herança cultural afro-brasileira. Tod@s estão convidad@s!


























  2. O Sabor do Saber Ancestral 2013
    programação



    11/11 – Segunda-feira
    09:00 - Inscrição, café da manhã e entrega do prato de najé
    09:30 – Alongamento
    10:00 – Aula com Mestre Renê
    11:30 – Preparação do almoço coletivo
    14:00 – Aula com Baixinho
    19:00 - Aula com Mestre Renê e roda restrita aos participantes do evento

    12/11 – Terça-feira
    09:00 - Aula com Mestre Renê
    11:30 – Preparação do almoço coletivo
    14:00 – Aula com Catarina
    19:00 - Aula com Mestre Renê e roda restrita aos participantes do evento
    20:30 – Festa da Bênção, no Pelourinho

    13/11 – Quarta-feira
    09:00 - Aula com Aloan
    11:30 – Preparação do almoço coletivo
    14:00 – Palestra “Cuidado Ancestral na Roda da Vida: Capoeira promovendo Saúde”, com Patricia Dantas e Tiago Parada - sanitaristas e educadores populares (MobilizaSUS/SESAB)
    19:00 – Roda de capoeira angola no Largo Dois de Julho

    14/11 – Quinta-feira
    09:00 - Aula com Mestre Ciro
    11:30 – Preparação do almoço coletivo
    14:00 – Aula com  Mestre Renê
    19:00 – Palestra “Capoeira e Candomblé, Berimbaus e Atabaques: Cultura e Religião em forma de roda”, com Augusto de Exú (Odé Aráefã),  Babakekerê (Pai-pequeno) do Ilê Asë Ibä Lögän

    15/11 – Sexta-feira
    08:00 – Aula com Cris
    09:30 – Vivência no Porto da Barra – neste feriado, aproveitaremos o dia para renovar nossas energias sob as bênçãos de Iemanjá, preparando corpo e espírito para as intensas atividades sagradas e profanas do final de semana.

    16/11 – Sábado
    09:00 – Aula pública na Feira de São Joaquim
    10:00 – Roda aberta de capoeira angola, seguida de samba de roda com participação da comunidade da Feira
    13:00 – Almoço e compra dos materiais para a realização da feijoada
    14:00 – Visita à Feira de São Joaquim, guiada por Augusto de Exu
    18:00 – Palestra “A reafricanização da capoeira em Aracaju”, com Mestre Alvinho Sucuri (mestre em ciência sociais pela UFS)
    19:00 – Roda de capoeira angola coordenada pelo Mestre Alvinho Sucuri

    17/11 – Domingo
    09:00 – Roda de capoeira angola
    12:00 – O Sabor do Saber Ancestral (feijoada)
                  Samba de Roda puxado pelo Mestre Renê e tocado por Aloan, Teixeira, Daniel e Curuzu (filho do Mestre Virgílio).
      
    --------- 

    Investimento: R$ 200,00 – com direito a participação em todas as oficinas, alojamento no local do evento, estrutura de cozinha, café da manhã de segunda e feijoada
      
     --------- 

     Obs: Aos não participantes das oficinas que compartilharão da feijoada, solicitamos uma contribuição para reforma do Terreiro do Caboclo Boiadeiro Filhos de Andaraí da Pedra Preta.





  3. Na semana de 11 a 17 de novembro, no Quilombo ACANNE, localizado na ladeira do Sodré (saudosa comunidade onde morou o poeta Castro Alves, retratante literário da vida do povo negro que aqui chegou), daremos início à décima edição do sagrado evento anual "O Sabor do Saber Ancestral". 
    Esta frase, por dignificar as ações realizadas com a capoeira angola em Salvador, na Bahia, no Brasil e dando volta ao mundo, simbolizada com o oferecimento de uma feijoada, foi escolhida para agradecer aos ancestrais pelas providências dadas ao seu povo que durante todo o ano acreditou e batalhou pelos seus objetivos alcançados. 
    Na semana de realização, que é a própria confraternização, buscamos trazer para os participantes um pouco de cada atividade que realizamos durante o ano para que ao findar este momento cada um possa construir em sua memória um mosaico da completude que é a capoeira angola na sua essência. 
    Através dos mestres, contramestres, treineis, percussionistas, sambadores (as), das atividades que realizaremos, das andanças pelas ruas e vivências com todas as pessoas que abrilhantarão esse momento mágico dentro do quilombo - onde estarão disponibilizados a cozinha (Cantinho do Sabor Ancestral) e o alojamento coletivo (com dormida incluída) - será revelado aos participantes deste encontro o que a capoeira da ACANNE tem, e o que a Bahia tem.

  4. Êaaaaaaa galera que estava me perguntando sobre a data do evento da ACANNE em Salvador, O Saber do Sabor Ancestral, já podem comprar suas passagens pois já temos data definida. Em breve divulgaremos a programação.



  5. Encontro de Capoeira Social reúne mestres e lideranças da capoeiragem latino-americana



    “Vou girar o mundo!”. Esse foi o slogan do 1º Encontro de Capoeira Social, realizado nos dias 28, 29 e 30 de junho em Quito, no Equador. O evento, totalmente gratuito, contou com mais de 800 participantes do Equador, Colômbia, Peru, Chile, México e Brasil. Realizado pela ACANNE (Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro) com apoio do Grupo GUETO, contou com o patrocínio da Fundação Patronato Municipal São José, da ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) e do Centro de Arte Contemporânea de Quito. O evento contou ainda com uma exposição de fotografias, com o mesmo nome, retratando todos os grupos de capoeira do Equador, sob a organização de Andrea Cenisa.
    Linha de frente da ACANNE no Equador:
                Edu, Emilio, Chemp, Mestre Renê, Andrea, Ramon e Sem Terra
    “Nosso principal objetivo foi pôr em pauta e dar visibilidade aos trabalhos sociais realizados com capoeira”, explica Edu Pastrana, organizador do evento. Segundo ele, “capoeira social é toda ação que um capoeirista possa fazer com um projeto, grupo, comunidade ou colégio, que seja destinado a ajudar pessoas em estado de vulnerabilidade social”. Membro da ACANNE, Edu é psicoterapeuta especialista em gestalt e processos criativos, e trabalha como técnico especialista em prevenção de conduta de risco na Casa Metro Juventudes, ministrando aulas de capoeira angola a aproximadamente 200 adolescentes e jovens entre 12 e 25 anos. Desenvolvido há cerca de sete anos, o trabalho conta com uma oficina psicoterapêutica que utiliza a capoeira angola em uma terapia grupal não confrontativa, desenvolvendo a corporalidade e a consciência crítica.
    O encontro foi antecedido por atividades que se iniciaram no dia 21 de junho, com uma roda da ACANNE em Quito, com a participação do Mestre Renê Bitencourt. Discípulo do saudoso Mestre Paulo dos Anjos, herdeiro da linhagem dos mestres Canjiquinha e Aberrê, Mestre Renê é fundador e presidente da ACANNE, criada em 1986 na Fazenda Grande do Retiro, com sede atual no Largo Dois de Julho, Centro Histórico de Salvador.
    Capoeiristas reunidos em Guayaquil

    No dia 23 houve mais uma etapa prévia do encontro, realizada em Guayaquil, cidade localizada no sudoeste do Equador, às margens do Oceano Pacífico. Organizada pelo grupo GUETO no Centro Cultural Libertador Simón Bolívar, a roda contou com a presença dos mestres Renê e Jean Pangolin, além de diversos capoeiristas e instituições convidadas.
    Durante toda a semana aconteceram oficinas de capoeira angola na sede da ACANNE na Casa Metro Juventudes. Mestre Renê e os capoeiristas Chemp (Eric Block) e Sem Terra (Paulo Magalhães) se revezaram nas aulas. Na terça-feira à tarde Mestre Renê teve um encontro com jovens refugiados da ACNUR no Centro Desportivo Municipal Iñaquito, e na quinta-feira, foi a vez do Mestre Jean Pangolin fazer o mesmo.
    Conversatorio de Capoeira Social, com
    M. Jean, M. Renê, contramestre Pardal e Edu Pastrana

    Na sexta-feira, começou o encontro propriamente dito, com uma roda de conversa sobre Capoeira e Trabalho Social no Equador, que contou com a participação de Mestre Renê Bitencourt, Mestre Jean Pangolin, professor Eduardo Pastrana e contramestre Pardal. A tarde foi aberta por Fabricio Cajas, assessor em juventudes do Alcaide de Quito, que ressaltou a força ancestral da capoeira como uma prática cultural rica e potente. Pedro Caigan, coordenador do Centro de Arte Contemporânea, deu as boas vindas aos presentes e destacou a necessidade de fortalecimento dos espaços institucionais que deem visibilidade a práticas culturais diversificadas, inclusive culturas excluídas ou sub-representadas.
    Mestre Jean, Paulo Magalhães, Mestre Renê e Edu Pastrana
    Em seguida, Mestre Jean Pangolin, que é Doutor em Educação e professor da UFRB, falou sobre capoeira e educação. A forma de aprender vivenciando que a capoeira herda da tradição afro-brasileira, em contraponto à abstração racionalista da educação eurocêntrica, foi destacada pelo mestre. Pontuou ainda que a capoeira pode contribuir com a educação de todos, atendendo demandas não apenas de pessoas em situação de risco mas de toda as classe sociais, propiciando uma alternativa de percepção da realidade a partir da matriz afrodescendente. O contramestre Pardal apresentou um breve histórico do Projeto Camaradinhas, que trabalha com crianças e adolescentes em diferentes países, explicitando suas concepções e alianças institucionais.
    Eduardo Pastrana falou sobre o processo psicoterapêutico da capoeira angola com adolescentes de rua no Equador, a importância da resiliência e da resistência no mundo moderno. Citou o aprendizado da capoeira como um ensinamento para a vida, para saber trocar o pé pela mão, escorregar e não cair, levantar-se de uma rasteira e continuar de pé lutando pelos seus objetivos.
    Mestre Renê reverencia a cultural local com seu poncho
    Mestre Renê falou do seu histórico de atuação social com capoeira, desde que fundou a ACANNE na Fazenda Grande do Retiro, bairro periférico de Salvador, em meados da década de 80. Destacou a capacidade que a capoeira tem de fazer os jovens voltarem a sonhar e lutarem pela conquista dos seus sonhos, se colocando como exemplo vivo de uma criança negra e pobre que escapou da fome e da violência e girou o mundo através da capoeira. Destacou a importância da realização de um trabalho integrado com toda a família, envolvendo a comunidade no combate aos seus inimigos mais poderosos – o alcoolismo, o tráfico de drogas, o desemprego e o crime. Tratou ainda da dura realidade do Centro Histórico de Salvador, onde crianças que saem de suas casas fugindo da violência doméstica terminam vivendo nas ruas e se viciando em crack. Também falou sobre o projeto Criança Ativa, realizado pela ACANNE em diversos espaços formais e não formais de educação, afirmando: “acreditamos que as crianças têm que estar em atividade, mas movimentando a mente, e não só o corpo. E finalizou exclamando: “sonho que um dia não precisemos de nenhum projeto social, que consigamos construir uma sociedade em que todos tenham mesmos direitos e possam realizar seus sonhos”!
    Paulo Magalhães
          (Sem Terra)
    Em seguida, foi realizado o lançamento do livro “Jogo de Discursos: A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana”, do jornalista e Mestre em Ciências Sociais Paulo Magalhães. O livro trata da diversidade de concepções sobre a tradição na capoeira angola, a partir de mestres representantes de diferentes linhagens. As estratégias políticas de legitimação da capoeira angola e as disputas em torno de sua organização ao longo da história são discutidas, utilizando fontes como jornais, observação direta e cerca de 20 entrevistas com mestres angoleiros renomados. Depois de lançar o livro na Bahia, Sergipe, Pernambuco e Minas Gerais, o autor fez uma turnê de lançamentos que incluiu Rio de Janeiro, Quito, Lima e Niterói.
    Professores de capoeira do Equador dão seus depoimentos
    A sexta-feira foi encerrada com uma roda de capoeira e muito samba de roda, que proporcionou intercâmbios e interações entre os participantes do evento. O sábado foi marcado por diversas oficinas de capoeira, ministradas pelos mestres Renê Bitencourt (ACANNE) e Jean Pangolin (GUETO); pelos mestres Perninha e Carvão (Centro do Mundo); pelo contramestre Manos (Rumizumbi) e professor Rap (Candeias); além dos capoeiristas Sem Terra (Paulo Magalhães), Chemp (Eric Block), Andrea Cenisa, Ramon Bantu e Edu Pastrana (Chivo). Logo em seguida, foram formadas duas rodas, coordenadas pelos mestres convidados da Bahia, Renê e Jean. No domingo aconteceu uma grande roda de conversas sobre Capoeira e Trabalho Social no Equador, com o depoimento de todos os mestres e professores presentes, compartilhando seus projetos, práticas e experiências.Em seguida, uma roda de confraternização final, agradecimentos e pequenos presentes para os professores e convidados.
    O 1º Encontro de Capoeira Social contou com a participação dos grupos ACANNE. GUETO, Rumizumbi, Centro do Mundo, Candeias, Acre Brasil, Nativos da Serra, Viva Capoeira, Capoeira Oxossi, Abada, Africapoeira e Nagô, do Equador, além de AngolaCali, Força do Leão, FICA, Afro-Ritmo, Angoleiros do Mar e Viersen, de outros países.
    Mestres, contramestres e professores presentes no evento

    O encontro constitui um marco na América Latina, ao por em destaque a perspectiva de intervenção social através da capoeira, em um evento totalmente gratuito, com financiamento público. A capoeira, historicamente, teve um papel destacado de organização da comunidade negra para resistência à escravidão e à violência do Estado e da classe dominante. Mesmo após seu reconhecimento como prática cultural legítima, a capoeira continuou atuando em comunidades periféricas e educando gerações através da sabedoria dos mais velhos, preparando jovens para jogar nas rodas de capoeira e na grande roda da vida. Apenas na década de 90, entretanto, o financiamento público de projetos sociais toma força pelo Brasil, com a expansão do terceiro setor, protagonizado pelas ONGs. A capoeira se consolida então como a mais usada ferramenta de arte-educação, instrumento mágico capaz de estabelecer diálogos e conexões inalcançáveis para a linguagem científica e acadêmica utilizada por muitos educadores.
    Rodas reuniram diversos estilos de capoeira
    Além de fortalecer as intervenções sociais com capoeira, é necessário que os mestres e educadores sejam mais valorizados, com remunerações dignas e condizentes com seu conhecimento, trajetória e experiência. Infelizmente, muitos trabalhos sociais ainda tratam os capoeiristas como voluntários, oferecendo valores simbólicos ou remunerando os mestres de acordo com sua formação escolar, sem levar em conta a formação tradicional do conhecimento popular.
    Mestre Renê em roda no Centro de Arte Contemporânea
    A ACANNE aposta na perspectiva da capoeira social desde a sua fundação na Fazenda Grande do Retiro, e hoje desenvolve atividades em sua sede com crianças da Ladeira da Preguiça e do Centro Histórico de Salvador, contando ainda com núcleos em Porto Alegre e Passo Fundo (RS), Poços de Caldas (MG), Olinda (PE), Phoenix e Nova York (EUA), Paris (França), Rosário (Argentina), Odessa (Ucrânia), Lima (Peru), Quito e Cuenca (Equador).
    Este encontro foi o primeiro de muitos a fortalecer essa perspectiva de capoeira, e em breve, a ACANNE-BA realizará um seminário aberto de troca de experiências e práticas com capoeira e arte-educação. Sintam-se todas e todos convidados.
    Iê!


  6. Como é de costume o mestre Renê compartilhar suas responsabilidades com quem pode assumir tais, nas próximas terças e quintas do mês de junho está em Salvador a nossa Treinel Cris, neta do mestre Paulo dos Anjos e díscipula do mestre Renê, assim, co-herdeira dos seus ensinamentos, para dar a sua contribuição ao trabalho da ACANNE. Agora é o momento de apreciarmos com sabedoria o que essa guerreira tem construído na sua vida capoeirística, sem caô,mas, com movimentos e marcas característicos e precisos.
    É com esse objetivo que a ACANNE te convida a adquirir uma vivência com Cris às terças e quintas das 19:00 à 20:30.
    Axé!!!




  7. A ACANNE- Equador realiza neste mês de junho o 1º Encontro de Capoeira Social "Vou Girar O Mundo", que reunirá capoeiristas de toda a América Latina no centro do mundo, celebrando as ancestralidades negra e indígena. O Mestre Renê Bitencourt está se preparando para conhecer os descendentes do império Inca, e os capoeiristas Sem Terra (Paulo Magalhães) e Chemp (Eric Block) também estão seguindo nessa jornada. O encontro tem entre seus objetivos promover troca de experiências entre grupos e núcleos que atuam em projetos sociais e comunidades periféricas com a capoeira, numa perspectiva de educação para a transformação social.
    https://www.facebook.com/events/460225924057849/




  8. Capoeira angola, samba de roda, dança afro, jongo, samango, muito axé e alegria... Este ano, o evento O Sabor do Saber Ancestral se superou e promoveu mais uma vez uma semana de celebração da ancestralidade afro-brasileira. Realizado pela ACANNE (Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro) entre os dias 19 e 24 de novembro de 2012, O Sabor contou com a participação de convidados de Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Estados Unidos, Equador, Colômbia, Alemanha, Ucrânia, Austrália, Espanha, Rússia, Áustria e Japão.


    O evento foi aberto na segunda pela manhã, com um café da manhã variado. Durante todo o evento, o almoço foi feito coletivamente, com diferentes sotaques e sabores revezando-se no comando da cozinha, o Cantinho do Sabor Ancestral. O primeiro dia já contou com três oficinas: as de Mestre Renê (fundador da ACANNE, herdeiro da linhagem de Paulo dos Anjos, Canjiquinha e Aberrê); treinel Cris (sua filha, atualmente desenvolvendo um trabalho no Arizona – EUA) e contramestre Veó (um dos alunos mais antigos, responsável pelo núcleo da Ucrânia). Mestre Renê explicou alguns dos fundamentos de sua linhagem e suas particularidades, mantendo acesa a chama dos antigos e seus ensinamentos.

    À noite, um momento há muito esperado: o lançamento do livro Jogo de discursos: A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana, no Espaço Cultural da Barroquinha. Fruto da dissertação de mestrado em ciências sociais pela UFBA do jornalista Paulo Magalhães (conhecido na ACANNE como Sem Terra), o livro trata da diversidade de tradições relativas às diferentes linhagens e heranças da capoeira angola, trazendo uma vasta pesquisa na imprensa baiana e entrevistas com 20 mestres. O lançamento foi aberto com uma performance poética de Jocelia Fonseca, que conduziu o cerimonial. A mesa contou com a presença do autor, Paulo Magalhães; dos Mestres Renê Bitencourt, Itapoan e Jair Moura e da Mestra Paulinha. Após a mesa, houve apresentação do grupo Vira Saia, recital poético e um farto coquetel.

    O dia 20 de novembro foi aberto com uma oficina de Sapoti, líder do Bando Tupinambá de Capoeira Angola. Durante a tarde, os participantes do evento revezaram-se entre as marchas da CONEN e da Liberdade, comemorando a luta de Zumbi e a consciência negra que conduz nossas lutas cotidianas. A quarta-feira contou com oficinas de Mestre Renê, Dudu (ACANNE RS), Baigon (ACANNE PE) e Eric (ACANNE EUA e Caribe). A noite trouxe a oficina de dança baseadas nos blocos afro de Salvador, com Vânia Oliveira, da escola de Danças da FUNCEB. Após a oficina, outra roda de capoeira angola, com a presença especial do Mestre Jorge Satélite.

    Na quinta, foi a vez de Sem Terra (ACANNE Salvador), Cris e contramestre Gege (Fundação Internacional de Capoeira Angola - FICA) puxarem os treinos e abrirem os caminhos para o Mestre Lua Rasta. Discípulo do Mestre Canjiquinha, fundador do Movimento Soteropolitano de Capoeira Angola de Rua, Mestre Lua fez uma aula lúdica e rica, mesclando capoeira, samba, jongo, samango e outros ritmos, ressaltando a necessidade dos capoeiristas beberem mais da cultura popular de matriz africana. A roda da noite foi conduzida pelo mestre, em seu jeito irreverente e informal.

    A sexta-feira contou com uma roda na Feira de São Joaquim (com a participação especial dos mestres Ciro e Claudio) e um samba de roda que fechou a manhã com chave de ouro. Tradicional lugar de referência do povo afro-baiano, a Feira é um verdadeiro caldeirão cultural dos valores e fundamentos da religiosidade negra. 


    À tarde, Mestre Claudio ministrou sua oficina de musicalidade e movimentos, trazendo a capoeira angola do sertão, com todas as suas particularidades. Os trabalhos da noite foram abertos com uma roda de capoeira angola no Largo Dois de Julho, em apoio ao processo de revitalização das praças e coretos de Salvador. Além da roda da ACANNE, houve apresentações do coral do Bahia Street, apresentações de filmes, música, poesia e exposição fotográfica. A roda tradicional da ACANNE aconteceu na sede do grupo, e contou com importantes anúncios. Os capoeiristas Baigon e Baixinho (Olinda – PE), Edu e Emilio (Quito – Equador) e Sérgio (Odessa – Ucrânia) se incorporaram à ACANNE e passaram a representar os grupos nessas localidades. A família cresce e incorpora estes núcleos aos já existentes: Salvador (BA), Porto Alegre, Erexim e Passo Fundo (RS), Poços de Caldas (MG), Trinidad e Tobago, EUA e França.

    Sábado foi o grande dia do evento. Os trabalhos se iniciaram cedo, com a roda de capoeira angola. Os mestres Djalma e Tadeu marcaram presença. Em uma festa de homenagem a Ogum, pressentia-se a chegada do caboclo que conduziria os trabalhos. Emoções à flor da pele, roda sagrada e profana, cheia de axé. O dia guardava mais uma surpresa: o Mestre Renê voltou a instituir a “camisa preta”, camiseta oficial da ACANNE, espécie de reconhecimento concedido aos alunos mais velhos, que vêm se destacando não apenas no jogo, mas na dedicação ao grupo e aos ensinamentos do Mestre Paulo dos Anjos. O contramestre Veó, a treinel Cris e os capoeiristas Eric, Augusto, Dudu e Sem Terra foram agraciados com a tão desejada camisa. Logo em seguida, a força feminina se fez presente através da performance poética “Canto Negro”, de Jocelia Fonseca, em que poesia negra, cânticos de capoeira e de axé e uma expressão corporal rica se mesclam com graça, força e beleza.

    O ponto forte da festa, como esperado, foi a presença do homem, do Capangueiro, que comandou a parte religiosa do evento. Após os sete homens comerem, todos os convidados puderam se servir da feijoada, e comer de mão em pratos de najé. O samba de roda comeu solto, animado pela famosa canelinha, doce bebida servida em uma muringa gelada que esquenta e anima o corpo e a alma.

    O Sabor do Saber Ancestral contou com o apoio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) através do edital Culturas Populares. Também foi apoiado pela Fundação Gregório de Matos, que cedeu o Espaço Cultural da Barroquinha para o lançamento do livro; pela Secretaria de Promoção da Igualdade (SEPROMI) que cedeu o coquetel; pelo Escritório Internacional de Capoeira e Turismo e Fórum de Cultura da Bahia, que contribuíram com articulação e contatos; pela Panificadora e Mercado Bola Verde, que cedeu o café da manhã de segunda e a mesa de frutas do sábado. A família ACANNE agradece a todos os parceiros e amigos, aos mestres que compareceram, aos alunos que ajudaram na produção, aos capoeiristas que participaram do evento, fizeram as oficinas e vadiaram conosco. Axé!!!













  9. A família ACANNE está se preparando para receber seus convidados pro Sabor do Saber Ancestral 2012.
    Será uma semana de vivências coletivas e profundas, preparando nossas refeições no “Cantinho do Saber Ancestral”, dormindo e acordando no quilombo ACANNE, respirando tradição e ancestralidade. Os mestres Renê, Cláudio e Lua Rasta já confirmaram suas presenças, junto com uma malta de contramestres, professores e treineis que darão aulas todos os dias. Capoeira Angola, Samba de Roda, Dança Afro, Poesia... uma celebração da cultura negra sob as bênçãos de Ogum.
    Pra quem ainda não se inscreveu, as vagas são limitadas.
    Venha provar desse axé!!!  





A carregar